Amados Irmãos, felicito-os pela graça de reconhecê-los como valorosos e genuínos construtores do Reino dos Céus aqui e agora na Terra. Continuemos no caminho da Luz.
Ao tratar agora do terceiro passo da iniciação, devemos destacar preliminarmente que alguns passos podem ocorrer simultaneamente. Em particular o passo da mudança de vida e o da consolação.
O conforto propiciado pelo ambiente do Lugar Sagrado, o encontro com os amados e caminhantes irmãos, as peças de arquitetura apresentadas pelos mestres maçons e a beleza da liturgia e do ritual maçônico se constitui como que uma consolação para dificuldades presentes no mundo profano.
Em loja aberta é muito comum observarmos semblantes de satisfação, tanto nas faces dos novos, como dos antigos obreiros. Nestes semblantes verificamos a presença de experiências plenamente gratificantes. Estas experiências são chamadas de consolações.
Terceiro passo: Consolação
As consolações são “momentos em que, efetivamente, a paz dura um pouco mais e onde, no interior de nossa mente, o silêncio torna-se algo real”.
Esta paz é tão significativa que muitos obreiros ficam viciados nela. Começam a ir à loja prioritariamente em busca desta consolação. Consolação materializada no viver em um mundo justo e perfeita, mesmo que por alguns instantes. Esta consolação torna-se vício quando deixa de ser apenas um caminho para se tornar a meta do obreiro. Então, surge o persistente apego ao rito oficial que prescreve o funcionamento de uma loja. E assim é alimentada a ilusão de que o rito é o instrumento que proporciona a paz, quando em verdade a paz não está fora do obreiro.
A mudança na vida do obreiro que busca prioritariamente as consolações pode se revelar com a presença regular as sessões semanais a sua loja mãe, ao mesmo tempo em que apresenta certificados de presença em sessões de outras lojas maçônicas. A busca deste tipo de obreiro em estar presente nos templos maçônicos é tão grande que ele é muitas vezes chamado de “templário”.
Mestre Leloup informa que “São João da Cruz fala muito destas consolações dos iniciantes e lembra que, às vezes, nós podemos tomar estas consolações como a finalidade do caminho, apegando-nos a elas e querendo repeti-las”. E conclui que “nesta etapa, é preciso acolher estes momentos gratificantes com gratidão, mas, ao mesmo tempo, não se apegar a eles e não procurá-los”. Porque, nunca é demais lembrar, “se nós nos apegarmos a estes momentos, se quisermos reencontrá-los sem cessar, em lugar de nos ajudarem a avançar, eles nos param, nos bloqueiam, fazendo-nos entrar em uma espécie de complacência para com eles”.
Existe um contra ponto que minimiza o efeito da busca incessante pelo sagrado. A possível transformação da busca em um bloqueio para a caminhada do aprendiz é minimizada por uma contradição. A existência da Maçonaria concreta e dos maçons formais – os que estão colados nos mais elevados graus maçônicos, mas não são efetivamente iniciados.
A descoberta dos maçons formais e dos vícios não encerrados nas masmorras – tais como: vaidade no uso de paramentos e aventais diferenciadores de colações dos graus dos portadores; disputa por cargos na direção da Loja, etc. – introduz o aprendiz no quarto passo iniciático e muitas vezes o salva da armadilha das consolações.
Amados, a Ordem Maçônica é a nossa casa, nosso sonho de paz e justiça. O amor do Grande Arquiteto do Universo esteja presente no coração de todos nós.
O Maçom Adonhiramita olha para o céu estrelar e contempla a estrela que o coloca a caminho do Reino dos Céus aqui e agora na terra.
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