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- Portas abertas para o encontro da imanência com a transcendência do ser, representado pelo ícone da cruz.
* Puertas abiertas para el encuentro de la imanencia con la trascendencia del Ser, representado por el ícono de la Cruz.
-Acolhida ao saber do outro com raízes bem nutridas no chão da formação de cada um.
*Acogida al saber del otro con raices bien nutridas en el suelo de la formación de cada uno.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Os sete passos - Sexta Parte

Amados, que o amor do Grande Arquiteto do Universo esteja presente no coração de todos nós.

O sexto passo é equivalente a tocar fogo no Ego de modo que ele se transforme na chama eterna do SER. Segundo nos informa mestre Jean Yves Leloup é a experiência da sarça ardente da Bíblia, quando é relatada que o fogo queima na sarça, mas não o consome. A divindade queima em nossa humanidade, não a destrói, mas a ilumina por dentro.

“Quando você coloca uma acha de lenha no fogo, inicialmente há fumaça, mau cheiro e depois vem o momento em que a madeira se transforma em fogo e não distinguimos mais uma e outro. A experiência interior é estranha porque é como se estivéssemos além do sofrimento. O fogo não queima o fogo, por isso enquanto o fogo nos queimar é sinal de que ainda não nos tornamos fogo”.

Sexto passo: O Estado de Transformação

Gostaria de dissertar citando um exemplo de um maçom institucional. A prudência recomenda que eu não o faça. Um obreiro no estado de transformação é tão incomum que em geral é tido como excêntrico, senão louco. Então, faço a opção de não dissertar sobre o sexto passo, apenas irei transcrever um pequeno trecho do escrito do mestre Leonardo Boff sobre Francisco de Assis, um iluminado pleno.

São Francisco só sai dessa crise (a passagem pelo vazio) quando abre novamente o Evangelho e lê: "O Reino de Deus está dentro de vocês. Alegrem-se! Felizes de vocês, os pobres". E ele compreende que é para ficar feliz, porque todos nós somos filhos do Reino, porque nós somos filhos de Deus! Volta para sua comunidade cantando, dançando e tocando em dois pedaços de pau como se fossem o violino e seu arco. Ele era o homem da alegria, amava cantar e dançar. São Francisco supera a crise com uma condição: voltar às origens, voltar aos leprosos.

E eu creio que a grande transfiguração de São Francisco deu-se em etapas. O primeiro passo foi no monte Alverne, onde ele gostava de se retirar uma vez ao ano, por ocasião da festa do Arcanjo São Gabriel do qual era grande devoto. Lá ele ficava por 40 dias, ia para as cavernas, procurava lugares bonitos, carregados de energia, de mana, de axé, de beleza.

Depois de 40 dias de meditação sobre a Encarnação de Cristo e sua Paixão, aparece-lhe o Arcanjo Gabriel, com suas seis asas e de cada asa saem fachos de luz. Ele percebe que não é mais o anjo que está lá e sim o próprio Cristo crucificado. São Francisco reza: "Eu quero sofrer tanto quanto o Cristo sofreu na cruz. Quero entrar no inferno profundo de sua solidão. Quero que o que ele passou, eu também passe". E súplica a Deus que ele sinta o que Jesus passou, o seu imenso desespero diante de Deus, o seu infinito abandono. Entra em um processo de sofrimento e de torpor e quando acorda vê em seu corpo as chagas de Jesus, os estigmas nos pés, nas mãos, no lado. Enche-se de alegria, de identificação, em um quase orgasmo espiritual, sentindo-se um com o próprio Cristo.

Como diz São João da Cruz em seu cântico espiritual: "A amada no amado transformada." Essa mesma frase é usada também para Francisco, para descrever a última etapa, na subida do monte Alverne, após o noivado, após o casamento esponsório, quando ele se transforma em Deus. Mas dizer isto escandaliza os cristãos, a dogmática condena, por isso dizemos: nós viramos Deus, nós nos transformamos em Deus, por participação. Porque o místico não quer pouca coisa, ele quer virar água, tornar-se cosmos, tornar-se livro, virar mundo, transformar-se em Deus. Do Eu consciente passar ao Eu profundo, do Eu profundo ao mistério radical que é Deus e finalmente transformar-se em Deus, ser Deus. Jean-Yves, em um dos seus encontros anteriores conosco, dizia: "Passar do Deus que temos para o Deus que somos". Ser místico é isso. São Francisco e São João da Cruz são assim também, místicos da identificação com Deus, com o Ser.

Então São Francisco se identifica com o seu arquétipo que é a humanidade radical de Jesus e com sua humanidade crucificada. Faz a experiência da cruz que é uma de suas últimas iniciações. E depois fará a experiência da ressurreição. Nesta experiência é todo o mistério pascal que se refaz.

O Maçom Adonhiramita olha para o céu estrelar e contempla a estrela que o coloca a caminho do Reino dos Céus na terra.

Melquisedec, ao vale do Mirante, 05 de Janeiro de 2012 da Revelação do Cristo.

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