Amados, que o amor do Grande Arquiteto do Universo esteja presente no coração de todos nós.
Como os amados irmãos tiveram a oportunidade de observar, os passos aqui apresentados se constituem um itinerário espiritual. Embora, em geral não utilizo esta nomenclatura, preferindo as expressões iniciação simbólica e iniciação aos graus filosóficos – em conformidade com a tradição maçônica.
Particularmente considero que os três graus simbólicos contemplam o itinerário de elevação espiritual aqui descrito. Não é por acaso que o obreiro exaltado ao grau de mestre maçom declara que possui os sete passos ou mais. O mais é para indicar que o processo iniciático deve continuar - que ele de fato se constitui em uma caminhada. Assim, todo maçom está a caminho da permanente iluminação.
Devo também lembrar que o neófito adentra aos mistérios maçônicos demonstrando confiança e coragem. Todavia, ao seu lado estar um mestre maçom. E assim deve ser ao longo de todos os passos. O acompanhamento espiritual é de fundamental importância. Entretanto, lamentavelmente, não se vê com muita freqüência este cuidado, este zelo. A conseqüência é que muitos se perdem no caminho. Alguns desistem e vão embora, outros persistem na organização maçônica e perdidos buscam consolações nos exercícios de cargos na administração da mesma.
Sétimo passo: O retorno a vida cotidiana
A iniciação maçônica destina-se a formação de obreiros do Reino dos Céus, agora e aqui na terra. Logo a formação de obreiros integrados com a vida cotidiana é fundamental. Integração com a família, com os amigos, com a sociedade.
Aparentemente com o sexto passo a iniciação estaria concluída. O obreiro de fato já é um iluminado, todavia ainda se faz necessário integrá-lo a vida cotidiana. Agora é preciso desenvolver as condições para que ele espalhe luz e sal no mundo.
Também é necessário esclarecer que a iniciação não visa prover a sociedade de homens extraordinários, possuidores de grandes poderes, realizadores de milagres.
Para deixar isso muito claro, utilizo um breve diálogo entre um mestre e um discípulo.
Discípulo - Pratiquei muito o domínio da matéria e agora posso andar sobre as águas. Estou muito feliz! Espiritualmente, a que nível cheguei? Que vale esta realização? Qual o valor deste poder?
Mestre - Vá perguntar o preço da passagem ao barqueiro, na margem do rio.
Transcrevo o comentário do mestre Leloup deste diálogo:
Fazendo o que o Buda lhe pede, ele viu que não era muito caro, que não valia muito. Portanto, estar desperto, entrar em um caminho de transformação não é estar à procura do fantástico ou do extraordinário, mas é aprender a fazer de maneira grande as coisas pequenas.
Assim, apesar da grande valia dos itinerários espirituais, sem acompanhamento que propicie discernimento, sem um trabalho de transformação pessoal avaliado pelas obras concretas, têm o risco de conduzir à megalomania.
Coremos o risco de nos tomamos por Deus, investidos de toda espécie de missões. “Como uma rã que quer se tornar tão grande quanto o boi, o eu quer se tornar tão grande quanto o Self”. Um obreiro que foi conduzido ao posto de presidente da loja pode, infelizmente, se considerar um Venerável Mestre, verdadeiro e único. E assim, colocar todo tipo de justificativas para permanecer no cargo. Desde vício nem o grão mestre está vacinado. É simples verificar este fato, basta contemplar os que aceitam a reeleição. Estão psicologicamente doentes (inflação do ego).
A integração a vida cotidiana exige que o mestre maçom troque de avental, se revista com o avental de aprendiz na dignidade da cor branca. Se integre no trabalho, aceitando o acompanhamento de um amigo, irmão e companheiro de caminhada.
A integração a vida cotidiana exige que o mestre maçom olhe para os seus companheiros e veja em cada um a obra do criador. Somos filhos de Deus, mas não somos maiores do que o Pai.
O venerável mestre Jesus já anunciou tudo isso em poucas palavras: Eu e o Pai somos um. Mas o Pai é maior.
O Maçom Adonhiramita olha para o céu estrelar e contempla a estrela que o coloca a caminho do Reino dos Céus na terra.
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