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- Portas abertas para o encontro da imanência com a transcendência do ser, representado pelo ícone da cruz.
* Puertas abiertas para el encuentro de la imanencia con la trascendencia del Ser, representado por el ícono de la Cruz.
-Acolhida ao saber do outro com raízes bem nutridas no chão da formação de cada um.
*Acogida al saber del otro con raices bien nutridas en el suelo de la formación de cada uno.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Os sete passos - Quinta Parte

Amados, que o amor do Grande Arquiteto do Universo esteja presente no coração de todos nós.

Ao tratar dos quatro primeiros passos do processo iniciático propiciado em ambiente maçônico foi possível contar com uma base de experiências pessoais e com observações das experiências vividas por outros irmãos. Agora ao tratar dos três últimos passos não terei uma base tão ampla, uma vez que poucos são os irmãos que vivenciaram tais passos. Outra dificuldade consiste no fato de que tais passos levam a uma visão de mundo de difícil descrição em termos de parâmetros da linguagem convencional.

Espero, também, não ter escandalizado nenhum irmão ao afirmar que poucos são aqueles que alcançaram a iniciação plena, o que vale dizer que são poucos os iniciados entre nós. Isto é muito comum, também, em outras tradições. Para constatar este fato é suficiente lê os evangelhos. Então, veremos que dos discípulos mais íntimo do Venerável Mestre Jesus, apenas Maria foi efetivamente iniciada antes da ressurreição. Dos demais, alguns necessitaram do anúncio da boa nova feito por Maria, outros exigiram mais do que um testemunho.

Ao dá o quinto passo o obreiro adentra um caminho sem volta. Repito: ele jamais voltará ao ponto de partida. No quinto passo se realiza a passagem pelo vazio. Neste momento, todos aqueles que conhecem o processo iniciático recomendam o acompanhamento de um mestre, pois o obreiro em geral busca a solidão e pode permanecer nela mais tempo do que o devido.

Quinto passo: A Passagem pelo vazio

A passagem pelo vazio aproxima-se perigosamente do estado psicológico de depressão. Mas se diferencia em face de sua natureza mística.

Nesta passagem muitos testemunham que os esforços, recursos materiais e intelectuais, investidos na Maçonaria se mostraram ineficazes. Pessoalmente, sinto que o fato de ter promovido a fundação e soerguimento de várias Lojas Maçônicas; ter presidido quatro Lojas e colaborado na administração de tantas outras; de ter celebrado o cerimonial de iniciação de dezenas de novos irmãos... Nada disso vale muito. E o que vale está fundamentado no fato de que nada foi realizado esperando reconhecimento e recompensa.

Temos os testemunhos de irmãos que ultrapassaram a barreira do vazio como que um cálice que se esvaziou de todo o conhecimento anteriormente acumulado – esvaziamento do ego - para assim poder receber o saber da fonte divina.

Segundo nos informa o mestre Leloup, o estado de silêncio que se exige é amplo: o silêncio do coração, do mental e mesmo silêncio do corpo. Neste vazio será gerada a consciência da nossa filiação divina.

Finalmente, é preciso alertar para o perigo que se constitui para o obreiro o anúncio da filiação divina. Todos nós temos conhecimento de obreiros que sofreram o martírio por conta do anúncio da boa nova.

Lembremos de Máximo Confessor (580-662) que considerava que o objetivo da vida cristã consistia na ”plena realização da natureza humana em Deus”. Para ele, o Mestre Jesus aparece como o homem plenamente católico (segundo o todo), o homem da síntese: o arquétipo do homem divinizado.

O anúncio da boa nova em si concretizada e nunca negada rendeu a Máximo Confessor a flagelação em 662: arrancaram-lhe a língua e deceparam-lhe a mão direita. Morreu pouco depois esgotado pelas torturas suportadas e a caminho do exílio.

Avaliem uma pequena amostra do anúncio feito por Máximo:

“O Verbo nasceu uma vez por todas, segundo a carne. No entanto, por causa da filantropia, ele deseja nascer, incessantemente, segundo o Espírito naqueles que o desejarem; Ele se faz criança e se forma neles, ao mesmo tempo em que nascem as virtudes. Ele manifesta na medida em que sabe que aquele que o recebe é capaz de fazê-lo.”
“Ao proceder desta forma, não é por ciúme que ele atenua o brilho de sua própria grandeza, mas porque Ele avalia e estima a capacidade daqueles que desejam vê-lo. Assim o Verbo de Deus revela-se sempre a nós da maneira que nos convém e, no entanto, permanece invisível, para todos, em decorrência da imensidão de seu Mistério.”

Apesar de tudo, Máximo penetrou no sexto passo e sofreu uma transformação total e definitiva que vai muito além do sofrimento físico.

O Maçom Adonhiramita olha para o céu estrelar e contempla a estrela que o coloca a caminho do Reino dos Céus na terra.

Melquisedec, ao vale do Mirante, 05 de Janeiro de 2012 da Revelação do Cristo.

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