Mãos surgem das nuvens e elas são as mãos
Que me alcançam e levam-me para ti.
Pés que não vejo caminham com o meu corpo erguido
Como se em uma bandeja fosse um alimento.
Deusa rainha tu és planando em um trono alado
De asas abertas na direção contrária ao pôr do sol.
Os tambores aplaudem docemente a tua glória
Acompanhados por guitarras que gemem de prazer.
Sereias cantam no deserto como se estivessem no mar
Fazendo as areias deslizarem como na dança do ventre.
Fecho os olhos permitindo a invasão do teu olhar ao coração
Que assim tão iluminado faz com que do meu peito transbordam luzes azuis.
Acolhe-me no teu cálice e bebe-me durante toda a noite estrelar
Assim eu sou vinho humano ofertado à Deusa da Fertilidade.
Melquisedec
Vale do Mirante, 28 de setembro do ano 2011.
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