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- Portas abertas para o encontro da imanência com a transcendência do ser, representado pelo ícone da cruz.
* Puertas abiertas para el encuentro de la imanencia con la trascendencia del Ser, representado por el ícono de la Cruz.
-Acolhida ao saber do outro com raízes bem nutridas no chão da formação de cada um.
*Acogida al saber del otro con raices bien nutridas en el suelo de la formación de cada uno.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Os sete passos - Sétima Parte

Amados, que o amor do Grande Arquiteto do Universo esteja presente no coração de todos nós.

Como os amados irmãos tiveram a oportunidade de observar, os passos aqui apresentados se constituem um itinerário espiritual. Embora, em geral não utilizo esta nomenclatura, preferindo as expressões iniciação simbólica e iniciação aos graus filosóficos – em conformidade com a tradição maçônica.

Particularmente considero que os três graus simbólicos contemplam o itinerário de elevação espiritual aqui descrito. Não é por acaso que o obreiro exaltado ao grau de mestre maçom declara que possui os sete passos ou mais. O mais é para indicar que o processo iniciático deve continuar - que ele de fato se constitui em uma caminhada. Assim, todo maçom está a caminho da permanente iluminação.

Devo também lembrar que o neófito adentra aos mistérios maçônicos demonstrando confiança e coragem. Todavia, ao seu lado estar um mestre maçom. E assim deve ser ao longo de todos os passos. O acompanhamento espiritual é de fundamental importância. Entretanto, lamentavelmente, não se vê com muita freqüência este cuidado, este zelo. A conseqüência é que muitos se perdem no caminho. Alguns desistem e vão embora, outros persistem na organização maçônica e perdidos buscam consolações nos exercícios de cargos na administração da mesma.

Sétimo passo: O retorno a vida cotidiana

A iniciação maçônica destina-se a formação de obreiros do Reino dos Céus, agora e aqui na terra. Logo a formação de obreiros integrados com a vida cotidiana é fundamental. Integração com a família, com os amigos, com a sociedade.

Aparentemente com o sexto passo a iniciação estaria concluída. O obreiro de fato já é um iluminado, todavia ainda se faz necessário integrá-lo a vida cotidiana. Agora é preciso desenvolver as condições para que ele espalhe luz e sal no mundo.

Também é necessário esclarecer que a iniciação não visa prover a sociedade de homens extraordinários, possuidores de grandes poderes, realizadores de milagres.

Para deixar isso muito claro, utilizo um breve diálogo entre um mestre e um discípulo.

Discípulo - Pratiquei muito o domínio da matéria e agora posso andar sobre as águas. Estou muito feliz! Espiritualmente, a que nível cheguei? Que vale esta realização? Qual o valor deste poder?

Mestre - Vá perguntar o preço da passagem ao barqueiro, na margem do rio.

Transcrevo o comentário do mestre Leloup deste diálogo:

Fazendo o que o Buda lhe pede, ele viu que não era muito caro, que não valia muito. Portanto, estar desperto, entrar em um caminho de transformação não é estar à procura do fantástico ou do extraordinário, mas é aprender a fazer de maneira grande as coisas pequenas.

Assim, apesar da grande valia dos itinerários espirituais, sem acompanhamento que propicie discernimento, sem um trabalho de transformação pessoal avaliado pelas obras concretas, têm o risco de conduzir à megalomania.

Coremos o risco de nos tomamos por Deus, investidos de toda espécie de missões. “Como uma rã que quer se tornar tão grande quanto o boi, o eu quer se tornar tão grande quanto o Self”. Um obreiro que foi conduzido ao posto de presidente da loja pode, infelizmente, se considerar um Venerável Mestre, verdadeiro e único. E assim, colocar todo tipo de justificativas para permanecer no cargo. Desde vício nem o grão mestre está vacinado. É simples verificar este fato, basta contemplar os que aceitam a reeleição. Estão psicologicamente doentes (inflação do ego).

A integração a vida cotidiana exige que o mestre maçom troque de avental, se revista com o avental de aprendiz na dignidade da cor branca. Se integre no trabalho, aceitando o acompanhamento de um amigo, irmão e companheiro de caminhada.

A integração a vida cotidiana exige que o mestre maçom olhe para os seus companheiros e veja em cada um a obra do criador. Somos filhos de Deus, mas não somos maiores do que o Pai.

O venerável mestre Jesus já anunciou tudo isso em poucas palavras: Eu e o Pai somos um. Mas o Pai é maior.

O Maçom Adonhiramita olha para o céu estrelar e contempla a estrela que o coloca a caminho do Reino dos Céus na terra.

Melquisedec, ao vale do Mirante, 06 de Janeiro de 2012 da Revelação do Cristo.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Os sete passos - Sexta Parte

Amados, que o amor do Grande Arquiteto do Universo esteja presente no coração de todos nós.

O sexto passo é equivalente a tocar fogo no Ego de modo que ele se transforme na chama eterna do SER. Segundo nos informa mestre Jean Yves Leloup é a experiência da sarça ardente da Bíblia, quando é relatada que o fogo queima na sarça, mas não o consome. A divindade queima em nossa humanidade, não a destrói, mas a ilumina por dentro.

“Quando você coloca uma acha de lenha no fogo, inicialmente há fumaça, mau cheiro e depois vem o momento em que a madeira se transforma em fogo e não distinguimos mais uma e outro. A experiência interior é estranha porque é como se estivéssemos além do sofrimento. O fogo não queima o fogo, por isso enquanto o fogo nos queimar é sinal de que ainda não nos tornamos fogo”.

Sexto passo: O Estado de Transformação

Gostaria de dissertar citando um exemplo de um maçom institucional. A prudência recomenda que eu não o faça. Um obreiro no estado de transformação é tão incomum que em geral é tido como excêntrico, senão louco. Então, faço a opção de não dissertar sobre o sexto passo, apenas irei transcrever um pequeno trecho do escrito do mestre Leonardo Boff sobre Francisco de Assis, um iluminado pleno.

São Francisco só sai dessa crise (a passagem pelo vazio) quando abre novamente o Evangelho e lê: "O Reino de Deus está dentro de vocês. Alegrem-se! Felizes de vocês, os pobres". E ele compreende que é para ficar feliz, porque todos nós somos filhos do Reino, porque nós somos filhos de Deus! Volta para sua comunidade cantando, dançando e tocando em dois pedaços de pau como se fossem o violino e seu arco. Ele era o homem da alegria, amava cantar e dançar. São Francisco supera a crise com uma condição: voltar às origens, voltar aos leprosos.

E eu creio que a grande transfiguração de São Francisco deu-se em etapas. O primeiro passo foi no monte Alverne, onde ele gostava de se retirar uma vez ao ano, por ocasião da festa do Arcanjo São Gabriel do qual era grande devoto. Lá ele ficava por 40 dias, ia para as cavernas, procurava lugares bonitos, carregados de energia, de mana, de axé, de beleza.

Depois de 40 dias de meditação sobre a Encarnação de Cristo e sua Paixão, aparece-lhe o Arcanjo Gabriel, com suas seis asas e de cada asa saem fachos de luz. Ele percebe que não é mais o anjo que está lá e sim o próprio Cristo crucificado. São Francisco reza: "Eu quero sofrer tanto quanto o Cristo sofreu na cruz. Quero entrar no inferno profundo de sua solidão. Quero que o que ele passou, eu também passe". E súplica a Deus que ele sinta o que Jesus passou, o seu imenso desespero diante de Deus, o seu infinito abandono. Entra em um processo de sofrimento e de torpor e quando acorda vê em seu corpo as chagas de Jesus, os estigmas nos pés, nas mãos, no lado. Enche-se de alegria, de identificação, em um quase orgasmo espiritual, sentindo-se um com o próprio Cristo.

Como diz São João da Cruz em seu cântico espiritual: "A amada no amado transformada." Essa mesma frase é usada também para Francisco, para descrever a última etapa, na subida do monte Alverne, após o noivado, após o casamento esponsório, quando ele se transforma em Deus. Mas dizer isto escandaliza os cristãos, a dogmática condena, por isso dizemos: nós viramos Deus, nós nos transformamos em Deus, por participação. Porque o místico não quer pouca coisa, ele quer virar água, tornar-se cosmos, tornar-se livro, virar mundo, transformar-se em Deus. Do Eu consciente passar ao Eu profundo, do Eu profundo ao mistério radical que é Deus e finalmente transformar-se em Deus, ser Deus. Jean-Yves, em um dos seus encontros anteriores conosco, dizia: "Passar do Deus que temos para o Deus que somos". Ser místico é isso. São Francisco e São João da Cruz são assim também, místicos da identificação com Deus, com o Ser.

Então São Francisco se identifica com o seu arquétipo que é a humanidade radical de Jesus e com sua humanidade crucificada. Faz a experiência da cruz que é uma de suas últimas iniciações. E depois fará a experiência da ressurreição. Nesta experiência é todo o mistério pascal que se refaz.

O Maçom Adonhiramita olha para o céu estrelar e contempla a estrela que o coloca a caminho do Reino dos Céus na terra.

Melquisedec, ao vale do Mirante, 05 de Janeiro de 2012 da Revelação do Cristo.

Os sete passos - Quinta Parte

Amados, que o amor do Grande Arquiteto do Universo esteja presente no coração de todos nós.

Ao tratar dos quatro primeiros passos do processo iniciático propiciado em ambiente maçônico foi possível contar com uma base de experiências pessoais e com observações das experiências vividas por outros irmãos. Agora ao tratar dos três últimos passos não terei uma base tão ampla, uma vez que poucos são os irmãos que vivenciaram tais passos. Outra dificuldade consiste no fato de que tais passos levam a uma visão de mundo de difícil descrição em termos de parâmetros da linguagem convencional.

Espero, também, não ter escandalizado nenhum irmão ao afirmar que poucos são aqueles que alcançaram a iniciação plena, o que vale dizer que são poucos os iniciados entre nós. Isto é muito comum, também, em outras tradições. Para constatar este fato é suficiente lê os evangelhos. Então, veremos que dos discípulos mais íntimo do Venerável Mestre Jesus, apenas Maria foi efetivamente iniciada antes da ressurreição. Dos demais, alguns necessitaram do anúncio da boa nova feito por Maria, outros exigiram mais do que um testemunho.

Ao dá o quinto passo o obreiro adentra um caminho sem volta. Repito: ele jamais voltará ao ponto de partida. No quinto passo se realiza a passagem pelo vazio. Neste momento, todos aqueles que conhecem o processo iniciático recomendam o acompanhamento de um mestre, pois o obreiro em geral busca a solidão e pode permanecer nela mais tempo do que o devido.

Quinto passo: A Passagem pelo vazio

A passagem pelo vazio aproxima-se perigosamente do estado psicológico de depressão. Mas se diferencia em face de sua natureza mística.

Nesta passagem muitos testemunham que os esforços, recursos materiais e intelectuais, investidos na Maçonaria se mostraram ineficazes. Pessoalmente, sinto que o fato de ter promovido a fundação e soerguimento de várias Lojas Maçônicas; ter presidido quatro Lojas e colaborado na administração de tantas outras; de ter celebrado o cerimonial de iniciação de dezenas de novos irmãos... Nada disso vale muito. E o que vale está fundamentado no fato de que nada foi realizado esperando reconhecimento e recompensa.

Temos os testemunhos de irmãos que ultrapassaram a barreira do vazio como que um cálice que se esvaziou de todo o conhecimento anteriormente acumulado – esvaziamento do ego - para assim poder receber o saber da fonte divina.

Segundo nos informa o mestre Leloup, o estado de silêncio que se exige é amplo: o silêncio do coração, do mental e mesmo silêncio do corpo. Neste vazio será gerada a consciência da nossa filiação divina.

Finalmente, é preciso alertar para o perigo que se constitui para o obreiro o anúncio da filiação divina. Todos nós temos conhecimento de obreiros que sofreram o martírio por conta do anúncio da boa nova.

Lembremos de Máximo Confessor (580-662) que considerava que o objetivo da vida cristã consistia na ”plena realização da natureza humana em Deus”. Para ele, o Mestre Jesus aparece como o homem plenamente católico (segundo o todo), o homem da síntese: o arquétipo do homem divinizado.

O anúncio da boa nova em si concretizada e nunca negada rendeu a Máximo Confessor a flagelação em 662: arrancaram-lhe a língua e deceparam-lhe a mão direita. Morreu pouco depois esgotado pelas torturas suportadas e a caminho do exílio.

Avaliem uma pequena amostra do anúncio feito por Máximo:

“O Verbo nasceu uma vez por todas, segundo a carne. No entanto, por causa da filantropia, ele deseja nascer, incessantemente, segundo o Espírito naqueles que o desejarem; Ele se faz criança e se forma neles, ao mesmo tempo em que nascem as virtudes. Ele manifesta na medida em que sabe que aquele que o recebe é capaz de fazê-lo.”
“Ao proceder desta forma, não é por ciúme que ele atenua o brilho de sua própria grandeza, mas porque Ele avalia e estima a capacidade daqueles que desejam vê-lo. Assim o Verbo de Deus revela-se sempre a nós da maneira que nos convém e, no entanto, permanece invisível, para todos, em decorrência da imensidão de seu Mistério.”

Apesar de tudo, Máximo penetrou no sexto passo e sofreu uma transformação total e definitiva que vai muito além do sofrimento físico.

O Maçom Adonhiramita olha para o céu estrelar e contempla a estrela que o coloca a caminho do Reino dos Céus na terra.

Melquisedec, ao vale do Mirante, 05 de Janeiro de 2012 da Revelação do Cristo.